sexta-feira, 20 de maio de 2016

O LADRÃO QUE FOI PARA O PARAÍSO



É muito comum ouvirmos críticas acerca de pessoas que eram marginais, ladrões, assaltantes, homicidas, etc. E depois correram para a igreja e viraram crentes. Agora, elas abrem a boca com toda ousadia e dizem: "Estou salvo, Cristo me salvou!".
Esse é um tipo de testemunho que incomoda as pessoas que nunca fizeram nenhum tipo de atrocidade, são cidadãos de bem e não se consideram salvos. Então, eles acham um absurdo uma pessoa que era marginal até pouco tempo, fazer uma declaração tão ousada como esta. Geralmente se duvida que Jesus possa salvar pessoas que já praticaram tanta maldade. Por ignorância, as pessoas acabam pensando que a salvação é meritória.
Se assim o fosse, como ficaria a situação do ladrão da cruz? Ele passou a sua vida inteira roubando e praticando maldades terríveis e, quando já estava pregado na cruz, condenação aplicada na época para os maiores criminosos, ele faz o seu último pedido ao Cristo crucificado, que ele reconhecia que era o Rei inocente: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.” (Lc 23.42). Então Jesus, como resposta, lhe faz uma promessa: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43). Você já imaginou quantas casas foram arrombadas e saqueadas por ele? Quantos cidadãos honestos foram prejudicados? Quantas crianças indefesas devem ter ficado com fome, porque ele subtraiu os poucos recursos de seus pais? Quanto sangue inocente ele deve ter derramado? Como pode Cristo prometer que aquele marginal estaria com o Salvador no paraíso, naquele mesmo dia? Só porque ele fez um pedido, todo o passado tenebroso foi apagado e esquecido? Não seria injustiça de Deus beneficiar um criminoso como este com a vida eterna, enquanto condena pessoas de bem ao inferno?
Veja, se a salvação fosse dada por meio das nossas boas obras, como uma recompensa de todo o bem que fizemos aos outros, não haveria necessidade de Jesus deixar toda a sua glória junto ao pai e descer para a terra; se encarnar e habitar em forma humana entre os homens (Jo 1.14), se rebaixando ao ponto de se tornar menor do que os anjos (Sl 8.5; Hb 2.7,9); experimentar as nossas fraquezas e limitações (Hb 4.15); ser traído por aquele que lhe era íntimo e de sua confiança (Sl 41.9); ser negado três vezes pelo discípulo mais corajoso; ser humilhado, desprezado, vituperado; levar chicotadas com pedaços de ossos na ponta do chicote do carrasco, que saiam arrancando pedaços de carne das costas do inocente Cordeiro; levar murros e tapas no rosto ensanguentado pela coroa de espinhos que lhe feriam a fronte; ser golpeado na cabeça com uma vara, cuspido e zombado; ser forçado a carregar uma cruz pesada até o lugar da sua crucificação, quando já não tinha mais forças, pela a horrenda judiação durante toda a noite; ter as suas mãos e os seus pés cravados no madeiro, com pregos pontiagudos e penetrantes, que geravam dores profundas no seu corpo abatido; ter recebido vinagre em lugar de água, quando a sede mais apertava e ressecava a sua garganta; ter a sua carne traspassada por uma lança que derramou as últimas gotas de seu sangue purificador. Tudo isso seria em vão, se a salvação fosse meritória.
Assim, não precisaríamos do “Cordeiro, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Porém, seriam os nossos méritos, a causa de nossa salvação. No entanto, o apóstolo Paulo diz que “não vem pelas obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.9). Mas é pela graça, mediante a fé. E graça significa FAVOR IMERECIDO. Pois, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). De forma que nenhum de nós mereceu a vida eterna, mas se reconhecermos os nossos pecados, confessando-os, e pedirmos a Cristo para nos salvar, seremos salvos e “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24).
Como foi dito, todos pecaram e não existe ser humano justo ao ponto de merecer a bondade de Deus. Dessa forma, por mais que alguém seja bom e justo, do ponto de vista humano, ainda assim é condenável diante de Deus, pois “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens” (Rm 5:12). De forma que “uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens” (Rm 5:16). O profeta Isaías chega a dizer que “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia” (Is 64:6).
Com isso, as obras boas e justas que os cidadãos de bem fazem são como uma torta deliciosa, feita por um leproso e colocada sobre as mãos em chagas vivas. Você teria coragem de comer? Certamente que não! Dessa forma as justiças de um pecador.
Diante disso, a única forma de alcançar a salvação é através do reconhecimento e arrependimento profundo e sincero de seus pecados (Mt 3:2; Mc 1:15; At 2:38), crendo em Jesus como o Filho de Deus e o Cordeiro que tira o pecado do mundo. De forma que não existe injustiça da parte de Deus em salvar um criminoso arrependido e condenar um cidadão que não reconhece o seu estado miserável de pecado. “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé".” (Rm 1:17).
E aqui está um paradoxo. Pessoas que nunca andaram na marginalidade, não alcançarão a salvação e serão condenadas ao inferno. E pessoas que passaram as suas vidas inteiras praticando maldades, serão salvas. As primeiras nunca reconheceram os seus pecados e, consequentemente, nunca buscaram a remissão deles. Já os últimos sempre souberam que eram pecadores, merecedores do inferno, mas conheceram o Cordeiro que tira o pecado do mundo e recorreram a Ele. Muitas vezes, no último instante de suas vidas, mas ainda em tempo oportuno de se arrependerem de todos os seus pecados e os confessarem ao Cristo.
Certa vez, Jesus foi criticado por comer com pecadores e cobradores de impostos.  Um cobrador de imposto, que era chamado de publicano, era considerado ladrão, pela a natureza do seu trabalho. Jesus não só comeu com os publicanos, mas também escolheu a Mateus, o publicano, para ser um de seus apóstolos. E essa atitude gerou polêmica por parte dos judeus religiosos, que achavam um absurdo. Jesus, escutando as suas murmurações, dá uma resposta que é a chave para o entendimento de toda esta problemática: “não necessitam de médico os sãos, mas sim, os doentes(Mt 9:12). Os fariseus, religiosos, se consideravam justos e santos e, por isso, merecedores do Messias, perderam a salvação por já se considerarem dignos.
De forma que, se alguém pensa que vai ser salvo porque pratica o bem e tem uma vida religiosa, está redondamente enganado e, certamente, perdido.
Porém, se você já reconheceu o seu estado miserável de pecado e recorreu a Jesus para te limpar de toda a iniquidade, então não tenha medo de dizer: "Estou salvo, Cristo me salvou!". Pois, quem te garante é o próprio Salvador: "... Estarás comigo no paraíso".
Portanto, fazer este tipo de declaração, não é ser prepotente ou se considerar melhor e mais santo do que os demais, mas é uma questão de acreditar fielmente no poder do evangelho e na promessa feita: “porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jr 31:34).
 Se alguém ainda não tem esta certeza, certamente está faltando-lhe a fé que conduz o pecador a uma verdadeira conversão e entrega total de sua vida ao Salvador Jesus. O ladrão acreditou em Jesus e na sua promessa e foi para o paraíso, e você? Consegue abrir a sua boca e dizer: “Estou salvo, Cristo me salvou”?

Por: Pr Erinho Vieira Ferreira
Pastor da AD em Machacalis-MG (campo de Teófilo Otoni-MG).

Nenhum comentário:

Postar um comentário